"Mineiros do bem querer, da terra do leite grosso, que planta milho em caroço, prás formiguinhas comer..." Esses versos me inspiraram a fazer uma adaptação no "Presépio Vivo" que eu já tinha escrito para um teatrinho de Natal, em 1982. Para distrair e acalmar as crianças agitadas, meu filho entre eles, eu vivia inventando atividades no prédio onde morava, e o Presépio Vivo foi uma dessas atividades.
Morando em Minas Gerais, perto da terra, resolvi encenar novamente o presépio vivo, mas com uma nova roupagem. Fiz uma adaptação nos meus versinhos, e acrescentei essa introdução:
"Se Jesus nascesse agora, nas nossas terras de cá, Meu Deus, minha Nossa Senhora, como havera de ficá" ?

"Presente não era ouro, os reis eram diferentes, fantasiados de gente, que vive no interior."
"Pastor era lavrador, trabalhando na enxada, enquanto um dia sonhava, ser o dono de um trator".

"Maria moça bonita, sempre vestida de chita, virava milho em fubá".
"José do campo gostava, e com prazer trabalhava, numas terras acolá".

"Prá saber como será, essa história diferente, preste atenção minha gente."
"Nestes artistas-semente, que vão mostrar num repente, este auto de Natal".
Vencendo minha timidez natural, li essa introdução para os presentes.
Os pequenos artistas diziam seus versos e assumiam suas posições no Presépio Vivo.

Os artistas eram meus alunos de Jardinagem, moradores do meu bairro, e entre eles, meu neto.
O teatro, o já famoso Casarão do Cafundó.
A data: 15 de dezembro de 2002
Transformei os Reis Magos em reis da nossa realidade atual: Rei do Milho, Rei do Queijo e Rei da Água Mineral.
Os pastores viraram lavradores, carregando a enxada de cartolina prateada.

O José e a Maria, compenetrados nos seus papéis: ele arrumando o saco cheio de milho e ela cuidando do Menino. Uma gracinha essas crianças ! Nem preciso dizer que fiquei emocionadíssima com a representação deles.

Um boi, um carneiro, um cantador e a estrela. As roupas, "fabricadas" por mim, aproveitando o que eu já tinha, e fazendo outras peças bem estilizadas, pois não sei costurar. Chita, panos tingidos, juta, acrilon para a roupa do carneiro...
Muito, muito trabalho.

Ensaiar essa turminha não foi nada fácil ! Mas a festa foi um sucesso, com mais de 100 pessoas assistindo, 2 jornais da cidade fazendo a cobertura, e as crianças orgulhosas de seu trabalho.
Os familiares e vizinhos compareceram para aplaudir seus artistas.

A Folia de Reis do bairro também fez sua apresentação.

Meus "quinze minutos de fama" no jornal local.
Apesar do enorme trabalho e da imensa preocupação, gostei muito dessa atividade. O resultado final foi muito bom.
Quem sabe não repito no próximo natal ?