sábado, 7 de maio de 2011

TEMPESTADES DE AREIA


Outro dia, muito surpreso, meu marido vem me contar que ocorreu uma tempestade de areia na China, em plena capital Pequim ! Lembrei então, de que já tinha visto na tv um documentário sobre uma catastrófica tempestade de areia que atingiu os EUA na década de 30. Pesquisadora compulsiva, lá vou eu a cata de mais informações sobre o assunto.

E descobri que elas, as tempestades de areia, são mais comuns do que eu podia imaginar, já que somente as visualizava no Saara ! Descobri que até Brasília já havia sido visitada por uma dessas tempestades ! E também verifiquei que na China a situação é bastante grave, com o risco de que
sejam soterradas 24 mil pequenas cidades e 30 mil quilômetros de rodovias nas próximas décadas. Apesar de serem fenômenos naturais, as tempestades de areia podem acontecer com mais freqüência por causa da ação humana. O desmatamento e o esgotamento dos solos tendem a aumentar a área coberta pela areia.

Procurei na net informações sobre a famosa tempestade de areia nos EUA e repasso para vocês, entre assustada e pensativa, imaginando o que o Homem está semeando para sua vida...

"O dia de repente se tornou noite, era como uma parede escura no horizonte ocultando o sol. E de uma hora para outra tudo ficou escuro e coberto de poeira".

No início da década de 30 um fenômeno climático de proporções catastróficas atingiu as grandes pradarias dos Estados Unidos. As chamadas Nevascas Negras atingiram com maior intensidade a região Centro Oeste do país, mas seus efeitos puderam ser sentidos até a Costa Leste. A área ocupada pelos Estados mais afetados passou a ser conhecida como Dust Bowl (bacia de poeira), eram eles o norte do Texas, Oklahoma, Novo Mexico, Colorado e Kansas.

O fenômeno foi resultado direto da ação do homem sobre o ambiente. Foi provocado por anos de práticas de manejo do solo que o deixaram susceptível às forças do vento que provocaram seca induzida pelo alto nível de partículas de solo suspensas no ar. O solo, despojado de umidade, era levantado pelo vento em grandes nuvens de pó e areia tão espessas que escondiam o sol durante vários dias. Estes dias eram referidos como "brisas negras" ou "vento negro".

Na foto: Brasília encoberta pela areia.

Como isso começou ?

As pradarias do oeste americano a partir da metade do século XIX começaram a ser ocupadas por famílias que recorriam a agricultura. A área que era um deserto semi-árido passou a ser cultivada. As South Plains eram um verdadeiro paraíso com uma vasta paisagem verdejante coberta de campos de plantio. A abundância trouxe a prosperidade e atraiu cada vez mais imigrantes. No início do século XX, as fazendas cobriam toda a paisagem.

Mas esse período de prosperidade não iria durar para sempre. Ele fazia parte de um ciclo de chuvas abundantes que estava chegando ao fim. No verão de 1930, uma severa seca atingiu toda a região. Os campos já preparados para o plantio ficaram secos e as plantações morreram. Pior do que isso, o solo sofreu uma gradual erosão pelo vento e foi cozido pelo sol causticante.

A seca transformou o solo em uma camada fina de poeira negra semelhante a farinha ou pó de gesso. Quilômetros e mais quilômetros de campos cobertos de poeira. Quando o vento soprou sobre esses campos, a poeira acumulada se levantou formando enormes nuvens negras que viajavam velozmente engolindo tudo em seu caminho.

As tempestades sopravam continuamente, arremessando toneladas de poeira para a atmosfera do planeta. As nuvens viajavam a uma velocidade de 200 km/h, crescendo a medida que engoliam fazendas e plantações. As South Plains foram varridas, o trabalho de décadas arruinado em poucas horas.

As maiores nuvens podiam atingir dimensões colossais com milhas de extensão e centenas de metros de altura. A nevasca composta de poeira fina encobria tudo, reduzindo a visibilidade a pouco mais de um metro. Cidades engolidas pela nevasca eram cobertas de areia e poeira que entrava por frestas e se depositava em cada canto: nos quartos, sobre os pratos, na comida, na água.

As fazendas pecuárias foram completamente devastadas. O gado morria sufocado com a poeira. Mas ninguém foi mais afetado que os pequenos produtores que viviam no coração do Dust Bowl.

Mais de 500 mil pessoas ficaram desabrigadas em decorrência do fenômeno. Entre 1931 e 1935 mais de 2.5 milhões de pessoas fugiram da área afetada, no maior êxodo dos EUA.


No princípio as pessoas acreditavam que as tempestades seriam passageiras, mas elas prosseguiram sem parar ao longo de metade da década de 30. Seus efeitos continuaram sendo sentidos até o início dos anos 40. Muitas pessoas jamais se recuperaram: a poeira das nevascas foi responsável pelo surgimento de doenças. Alergias e irritações de pele eram bastante comuns. Pessoas cegadas temporaria e permanentemente pela poeira também somavam milhares. Mas nada era mais perigoso que a Pneumonia do Dust Bowl. A poeira aspirada se alojava nos pulmões e muitas vezes acabava se solidificando em pedras, o resultado: falência respiratória crônica.

Para se proteger das nevascas as pessoas vedavam janelas e batentes com gaze molhada misturada com cimento. Na região do Dust Bowl as pessoas costumavam usar panos na face ou "máscaras de poeira" para escapar da substância irritante que entrava nos olhos, nariz e boca. O governo federal reaproveitou estoques de máscaras usadas na Grande Guerra e distribuiu milhões de kits para os habitantes

Muitas pessoas usavam máscaras diariamente desde a hora que acordavam até a hora de dormir, as retirando apenas para comer.

Cidades inteiras eram fustigadas pelas tempestades e seus habitantes não podiam fazer nada a não ser se esconder e esperar. Algumas tempestades podiam terminar rapidamente, outras podiam durar horas... ou dias.

Em março de 1932, os habitantes de Kansas enfrentaram 20 dias consecutivos de tempestade e escuridão. O ano de 1933, contabilizou 193 dias de tempestade. A tempestade podia bloquear o sol e fazer com que a temperatura caíssem até 40 graus Farenheit em apenas uma hora.

Foto: na China atual, a criatividade da mulher chinesa, durante uma tempestade de areia.

Em 14 de Abril de 1935, o Dust Bowl experimentou a sua maior provação. O dia que ficou conhecido como Black Sunday (Domingo Negro) começou bonito e com um sol agradável que motivou as pessoas a sair de suas casas. Muitos resolveram fazer picnics ou visitar parentes e amigos. Mal sabiam que mais de 20 tempestades estavam prestes a se formar simultâneamente na mais forte tempestade da época.

As primeiras nuvens foram avistadas ao meio dia e rapidamente os ventos começaram a varrer a região erguendo uma quantidade de poeira capaz de preencher o equivalente a 50 estádios dos Yankees de Nova York. As pessoas fugiam e se refugiavam em celeiros, carros e porões. Aqueles que foram colhidos pela tempestade experimentaram um verdadeiro inferno na Terra. Muitos desapareceram...


O violência dessa tempestade foi tamanha que dois dias depois as nuvens atingiram a costa leste do país e as cidades de Chicago, Nova York e a capital do país Washington D.C. Na Nova Inglaterra areia vermelha de Oklahoma caia do céu como se fosse flocos de milho. Ironicamente foi só a partir dos eventos do Domingo Negro que a situação catastrófica dos habitantes do Dust Bowl começou a chamar a atenção do restante do país.

A miséria e a fome já se espalhava como uma epidemia pelo meio oeste americano cada vez mais abandonado pelos habitantes originais. Muitos jornalistas cobriram o fenômeno e foram responsáveis por fotografias inacreditáveis que demonstravam as dimensões da catástrofe.

A administração do presidente Franklin Delano Roosevelt instituiu um programa emergencial de socorro para as famílias na área da tragédia. O programa também previa o remanejamento da população das áreas críticas para outras menos afetadas e o início de um programa pioneiro para conservação do solo.



No início dos anos 1940, as Nevascas Negras finalmente começaram a perder força. Foram necessários dez anos para que a natureza reparasse os danos sofridos pelo solo. Os anos 40 também foram de superação, com o fim da Grande Depressão. O Programa New Deal de Roosevelt buscou ensinar aos fazendeiros técnicas para prevenir a erosão do solo a partir de rotação dos campos e irrigação adequada.

A lição do Dust Bowl, no entanto, jamais foi esquecida. Nas palavras de Will Bryce: "Foi uma época difícil, de incerteza e desespero. Muitos diziam que era o fim do mundo e como não acreditar? Quando o dia vira noite, você sente um medo profundo e acredita que a esperança se foi... em um mar de poeira".


Como em tudo pode haver beleza, vejam que bela foto encontrei !

Já não bastava Furacão, Terremoto, Tsunami, Erupões Vulcânicas...

Que nossa Teia Ambiental sirva para mostrar os erros e os acertos do Homem. E que cada um de nós possa contribuir para uma vida planetária melhor.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

NA LOJA

Postagem levinha, mostrando alguns produtos da loja do Caminho do Artesanato.
Dia 7 é dia de Teia Ambiental e o assunto será pesado ! Preparem-se !

Sacola Ecológica com o símbolo do Caminho. Trabalho em parceria. Eu faço o bordado e a Eli confecciona a sacola. (Flora da Serra e Brincadeira de Papel)

Dizem que "uma imagem vale mais do que mil palavras"... Beleza nas frutas do Jorge Mendes.

A sempre graciosa cabaça, desta vez com a imagem de Santa Clara. Obra da Marília (Frutos da Terra).

Beleza e utilidade no jogo americano e no caminho de mesa em tear. Trabalho da Mercedes (Cor e Trama)

Novidade: vassourinha infantil decorada ! Invencionice da Eli (Brincadeira de Papel)

Novidade: Tania (Fazendo Acontecer) criou o apoio para mousse com o desenho da Estrada Real!
E, numa parceria com a Marília (Ladaínha), saiu a capa para carregar livros !

Da Lílian, belas luminárias em cerâmica.

Novidade: Marília (Ladaínha) bordou lindas almofadas !

Novidade: também da Ladaínha, árvore com pássaros. Nessa estão tucanos !

Mais uma remessa da linda pintura Bauer da Alcione (Fábrica das Artes), em úteis caixas de madeira.

Novidade: cadernos de receitas com galinha d'angola aplicadas ! Acreditem se quiser, mas só fiz 2 para a Feira da Amar, esqueci de fotografar, vendeu, e só fiquei com esse registro da exposição onde ele está junto com os panos de prato da Marília (Ladaínha), fazendo conjunto !

terça-feira, 3 de maio de 2011

FLORES DE ABRIL

É Tempo De Borboletas !!!
E elas estão por todo lado, voando de flor em flor, alegrando os dias fresquinhos do Outono.
Flores, não são muitas aqui no meu sítio.

Pacientemente esperei e fotografei, até conseguir essa foto da borboleta Monarca. Muito tempo ela ficou alí sugando seu alimento. Borboletas, quando paradas, ficam com as asas fechadas, então não consegui captar a beleza delas. A flor é o Cosmos, que nesse ano chegou atrasadinho e ainda tem flores.

A flor exuberante do momento é o Bico-de-Papagaio e tenho muitos pés aqui no jardim. Após muitas tentativas, consegui flagrar a Monarca com as asas abertas !

Monarca em uma flor, borboleta preta com vermelho em outra !

O Tagete-mini também está por todo lado, com suas florzinhas laranja-alegria !

Outra gracinha é essa flor - que não sei o nome - e que floresce praticamente o ano inteiro. É só espiar pela janela da cozinha que eu a vejo sorrindo para mim...

Andando pelo Cafundó, vejo o lindo muro do meu vizinho, coberto de Amor-agarradinho.

Mais adiante, a cerca de bambu exibe essa delicada trepadeira de florzinhas vermelhas.
(Viu, Alvani, como existe beleza nas coisas simples ?)

No Parque das Águas, a Caliandra, e seus encantadores pom-pons cor-de-rosa !

Também no Parque, a formosura das bolinhas vermelhas. Já mostrei em Março, mas não resisti à sua graça e repeti a dose, dessa vez de pertinho !

Abril terminou, não fez o frio esperado, tivemos pouco sol, e foi difícil secar a roupa lavada.
Um pouquinho atrasada, mostro as flores do mês. Quais serão as surpresas de Maio ? Já vi que a Dombéia está cheia de botões...

Essa também é a Roda do Ano !

Veja aqui mais Borboletas.