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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

GRAJAÚ - Meu Bairro Querido

Morei no Grajaú, de 1972 até 1991, quando mudei para Minas Gerais.
Do jeito que eu gosto, o Grajaú é meu bairro querido, aquele em que sentia-me feliz, cercada de muito verde e casas lindas.

"Tradicional bairro extremamente arborizado, fica localizado na chamada Grande Tijuca, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro."(Wikipedia)

"A Pedra do Andaraí, também conhecida como Bico do Papagaio é o principal acidente topográfico da região que ajuda a identificar o bairro Grajaú."

"O bairro possui ruas arborizadas e tranquilas".
As 2 ruas principais possuem 2 pistas e um canteiro central totalmente plantado de tamarineiras que com os ventos de setembro deixam cair seus frutos no chão, esperando para serem colhidos.

" Nobres residências, sendo algumas casas edificadas no início do século XX preservam parte de suas características originais, embora dividindo a paisagem com alguns edifícios de décadas mais recentes."

Todas as ruas do bairro são arborizadas e possuem canteiros na calçada.

Quando eu morava no Grajaú dizia que só sairia de lá para uma cidade pequena. E foi o que fizemos !

Bairro pequeno, aconchegante, e muito bonito, o Grajaú é um pedacinho do paraíso.

"A Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também faz parte dos atrativos da localidade".
Fica localizada na praça principal do bairro.

Seu interior é belíssimo, com as paredes totalmente cobertas de pinturas.
Pesquisei bastante na net e só encontrei fotos de casamentos, por isso fiquem conhecendo a igreja toda florida, enfeitada para uma cerimônia !

Imagem de N. Sª do Perpétuo Socorro.
"Pouco se sabe a respeito da autoria artística do quadro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, apesar de conhecidíssimo pelos católicos do mundo inteiro. Segundo especialistas, há forte indício que o artista seja grego, pois as inscrições estão neste idioma. Esta pintura deve ter sido executada no período compreendido entre os séculos XIII e XIV".


Colégio da Companhia de Maria, onde meus filhos estudaram.
O Grajaú é um bairro predominantemente residencial.
A principal característica do bairro, fundado em 1912, são suas ruas repletas de casas da metade do século XX. Hoje, há muitos edifícios e sua população é estimada em 40 mil habitantes.

Essa foto é minha e não está boa, mas dá para ver a praça principal, com as montanhas atrás e muitas árvores.
Fotografei do apartamento em que morava, na década de 70.
Hoje a praça está um pouco diferente, mas continua bela.

Dentro do bairro localiza-se a Reserva Florestal do Grajaú, criada em 1978 como uma reserva ambiental e que, no final de 2002 foi enquadrado na categoria de parque.

Morar num bairro que possui uma Reserva Florestal não é coisa comum ! E eu morei nesse bairro!

Aqui outra praça do Grajaú.

Uma coisa que sempre me encantou no bairro é a sua capacidade de ser lindo com qualquer tempo e deliciosamente nostálgico e romântico em dias de chuva, com a vegetação verdinha e brilhante.
Quando "descobri" o Grajaú, fiquei imediatamente apaixonada ! Foi uma grande alegria morar lá. Andar por suas ruas tão arborizadas e admirar as lindas casas, já era um belo passeio diário.



PS: Em outubro fiquei sabendo que existe no Grajaú o ENCHENDO LINGUIÇA, um bar de grande sucesso por sua qualidade e originalidade. E os proprietários são filhos de amigos nossos do tempo que moravamos nesse lindo bairro ! Vejam aqui:
http://www.enchendolinguica.com.br/rio/index.htm

As fotos foram retiradas da net, e cito alguns enderêços:

http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com/2008/05/graja.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Graja%C3%BA_%28bairro_do_Rio_de_Janeiro%29
http://www.flickr.com/photos/nandaoli/
Cíntia Segadas

quinta-feira, 2 de junho de 2011

BONSUCESSO - O Bairro Da Minha Infância



Vez por outra - ou com bastante frequência - sou atacada por uma imensa nostalgia que me faz buscar as lembranças dos tempos idos da minha vida. Como já mostrei em outra postagem, eu nasci no bairro Piedade, mas vivi dos 3 aos 24 anos em Bonsucesso, subúrbio do Rio de Janeiro, simples e tranquilo, naquela época remota. Com o "progresso", o bairro foi mudando e hoje tento descobrir imagens antigas pela net e recolho as poucas fotos que herdei da minha família.



O bonde era um meio de transporte seguro porém, vagaroso. Com o aumento da população, com mais carros circulando, e com a ânsia de rapidez que tomou conta da humanidade, ele, tão bonitinho e simpático, foi descartado das ruas do Rio de Janeiro, restando o de Santa Teresa para matar a saudade. Circulando "do lado de lá da estação", o que queria dizer para mim, o lado da Rua Uranos, pois eu morava no lado da Praça das Nações, o tranquilo bondinho fazia um grande percurso, chegando até ao centro da cidade.
(foto da net)
 Nessa foto tão antiga, eu estou junto do chafariz que existia na Praça das Nações. No ano de 1951. Atualmente essa praça não tem mais esse nome, mas é assim que eu lembro dela.
A loja lá no fundo era uma Farmácia.  Depois dela, uma casa antiga onde morava um senhor chamado Felipe que a criançada - maldosamente - chamava por um apelido que ele não gostava e que o fazia correr atrás deles.
O Ao Nosso Restaurante quase aparece, na ponta direita da foto.  Que pena não ter sido enquadrado na imagem...
Foto da Flora.

 Na esquina da Rua Cardoso de Morais com Av. Maxwell, existia a padaria do seu Belmiro, e sua filha Esmeralda era minha colega de colégio. Na foto, minha mãe na varanda do nosso apartamento e, lá no fundo,  o prédio da Padaria do seu Belmiro, que tinha a loja embaixo e morava no sobrado.
 Uma loja curiosa existia por alí, com uma porta na Cardoso de Morais e outra na Guilherme Maxwell. Acho que era uma loja de ferragem ou de material de construção. Anos mais tarde ali seria outra loja da Elite.
Foto da Flora


 Dividido pela linha férrea, Bonsucesso tinha cancela, antes das passagens subterrâneas que deram maior segurança mas tiraram o charme antigo. Essa foto que encontrei na net é de 1929.
Do lado direito da foto está a Rua Cardoso de Morais, que começa ali, junto da cancela e segue até o bairro vizinho de Ramos.
Pensando nesse tempo, vou lembrando o que existia por ali:
Além da Padaria do seu Belmiro, ( lado direito de quem segue para Ramos), tinha a casa da dona Lúcia, com quem estudei piano e acordeon. Adiante ficava o Cinema Bonsucesso, pequenino e sem ar refrigerado, o que para os cariocas era uma verdadeira prova de fogo ! Depois encontramos a Rua Baturité, onde na esquina ficava a serraria do seu Araújo, pai da minha colega Carlinda. A Tinturaria Sport e, lá na frente, já no Largo de Bonsucesso, estava a Padaria Olímpica.

Dessa rua, tenho outra jóia de fotografia que mostra meu pai e o sr. Otaviano, que era funcionário da nossa loja - Casa das Bolsas - posando na porta da mesma, lá pelo meio dos anos 50.
Ao lado, está uma loja de ferragens, que mais tarde transformou-se em um moderno estabelecimento chamado Mundo Das Louças. Este, depois foi transformado no Banco Boavista. Hoje, nem imagino o que estará lá...
Foto da Flora.


Continuando pela Cardoso de Morais, pegando agora o lado esquerdo e em frente à Padaria do seu Belmiro, tinha a quitanda do seu Alípio e, ao lado, a loja que só vendia sabões.
Na foto, meus pais estão na varanda do apartamento em que morávamos e,  lá no fundo, no canto direito,  aparece um pedacinho da Praça das Nações e o lindo prédio que  ia da Av. Nova Iorque até a Av. Guilherme Maxwell. A rua que aparece é a  última que citei.  Sempre gostei desse edifício...
 Mais para a frente ficava a Escola Almirante Barroso, uma casa pequena de frente de rua, onde estudei a 1ª e a 2ª série primária. Pertencia à dona Mariazinha.
Quase na esquina da Rua Bias Fortes estava o armarinho de nome interessante: A Pomposa.
Mais além, a loja que vendia flores, da dona Gracinda, onde minha mãe costumava comprar suas queridas flores para embelezar nossa casa.
Já na beirinha do Largo de Bonsucesso, a loja de tecidos da dona Arzelinda, que também era costureira e amiga de minha mãe.
Foto da Flora.




Em 1989, estava assim esse trecho da Cardoso de Morais, mas em épocas mais antigas,
logo após a Sapataria Elite, que era do meu tio e ficou famosa ao longo dos anos, com a direção do meu primo, ficava a pequenina loja do meu pai.
Margeando a linha férrea, vemos a Rua Dona Isabel onde, num terreno baldio eram armados os circos e parques de diversões.





















Aqui estou eu, na Av. Paris, em 1949. Interessante observar o carro e as casas.
Já maiorzinha, eu gostava de alguns trechos dessa rua, pois existiam árvores que lhe davam uma bela aparência. Também sempre gostei de um edifício baixo - talvez 3 andares - que fazia esquina com a Av. Bruxelas e possuia belas varandas. Outra construção que para mim tinha um quê de mistério era a entrada de uma vila que começava na Av. Paris, e descia até a Av. Nova York, tendo entrada pelas 2 ruas.
Foto da Flora.


 Ainda em 1949, ou 1950, durante o tempo em que moramos na Av. Paris, num dia de domingo meu pai foi comigo e com minha irmã dar um passeio até a "praia de Inhaúma", que ficava do outro lado da Av. Brasil. Nunca tomei banho de mar nessa praia, mas minha sogra contava que nos seus tempos de juventude era uma praia muito boa e era frequentada pelos moradores. A foto antiga registrou o momento, e esse acréscimo a essa postagem tão longa foi inspirado pelo comentário do Jayr, que lembrou da Praia de Inhaúma.
Foto da Flora.

  Duas fotos encontradas na net, acredito que da mesma época - 1957.
Rua Cardoso de Morais, e vê-se o Lotação, pequeno ônibus daqueles tempos. A Casa Chic, da qual pode-se ler o letreiro, era um armarinho completíssimo

Acho - não tenho certeza - que as pessoas sentadas no meio-fio, eram comerciantes que vendiam alimentos, nos dias de Feira. Observem que algumas usam um lenço na cabeça, típico das "baianas" que vendem doces. Lembro que usavam um fogareiro à carvão e assavam espigas de milho. Uma senhora está inclinada, como se estivesse perguntando o preço de alguma coisa.
Essa foto me fez "viajar" nas asas do tempo...

  Eu morei no edifício que aparece no fundo da foto.

Essa foto é da varanda do edifício que morei - Rua Cardoso de Morais 25 apartamento 301. Minha família (mais a empregada da casa), apertados na pequenina varanda.
Mas o melhor da foto é que aparece um pedacinho da rua,  o muro da linha do trem, e o morro lá atrás ! O ano: 1950 ou 1951.
Foto da Flora.
 Nessa foto, já mais perto da esquina, vemos o ponto de ônibus, e o Banco Boavista que inicialmente era aqui, antes de ocupar o lugar do Mundo das Louças. Onde eu estaria nesse dia de 1957, no momento que fizeram essa fotografia ? Já me procurei, mas não estou aí não...
Após o ponto de ônibus, ficava a loja das Mercearias Nacionais, seguida da loja Sued, que vendia roupas.

Essa é a visão que tínhamos da janela do nosso apartamento. A linha do trem, e a rua Uranos do outro lado. Quase aparece o colégio Santa Cruz, onde estudei, que estava na ponta direita da foto!
Foto da Flora.

Encontrei na net essa fotografia em que aparece o tradicionalíssimo Ao Nosso Restaurante, sinônimo de boa comida. Logo adiante, a Loja Modelo do Juquinha, outro marco do bairro.
Após o Juquinha, como era conhecida a loja, e fazendo esquina com a Praça das Nações comprida que margeia a linha do trem, existia um grande bar com sinuca nos fundos. Na frente, em pequenos nichos, um lugar onde vendia frutas e era do seu Domingos, pai da minha colega Palmira, e um engraxate daqueles de cadeiras bem altas.

Depois da esquina, mais adiante um pouco, estava o Armazém Leão, que tinha um grande leão "empalhado", que era o termo que usávamos na época. Um pouco assustador...
Continuando o caminho encontramos As Lojas Brasileiras, O Lar Feliz, e um armarinho.
Nesse ponto a calçada fazia uma curva formando uma "bacia", e nesse trecho estava a Farmácia Vitória.
Na esquina, encontrávamos a Av. Paris. E, no outro lado da "bacia", estava o Cinema Paraíso, que aparece no lado esquerdo da foto e é a construção de 2 andares.
Só restaram as fotos e as lembranças...

Na Praça das Nações comprida, (pois a outra era arredondada), o belo chafariz com a Mulher da Luz, escultura que foi roubada recentemente !!!
Nessa foto mais recente, onde os ônibus estão, era, nos tempos idos, o lugar dessas lojas que citei acima.

Av. Nova York e o carro antigo. Morei nessa casa onde está o carro, porém em época posterior.
Como lastimo não possuir mais fotos desses lugares que fizeram parte da minha vida e por onde caminhei durante tantos anos...

Ofereço essa postagem carregada de recordações para meu amigo Filipe, saudosista inveterado e que vive suspirando de saudade dos tempos idos.

Em 15/8/17, reencontrei uma colega de infância, que estudou, como eu, no Colégio Almirante Barroso, da Dona Mariazinha, que ficava na Rua Cardoso de Morais, perto da Rua Bias Fortes!
Ela é a Esmeralda, filha do seu Belmiro da padaria! Também estudamos acordeon com a D. Lúcia.  Isso nos anos 50...
A Esmeralda me encontrou porque uma pessoa leu essa postagem sobre Bonsucesso e a avisou !
Esmeralda e seu marido vieram me visitar em São Lourenço, e foi ótimo relembrarmos tantas coisas, pessoas, lugares, de um Bonsucesso que não existe mais !
Ela me lembrou de uma carvoaria, na esquina da Av. Guilherme Maxwell com Av. Bruxelas, que eu não lembrava mais.  E a carvoaria ainda existe ! Que bom !!!

Na foto, a Esmeralda e o Normando.
Foto da Flora.



PS: essa postagem está ficando como obra de igreja: inacabada, pois a cada dia acrescento mais alguma informação. O que começou como um simples recordar meu bairro, acabou transformando-se num compêndio sobre Bonsucesso dos tempos idos !

quarta-feira, 25 de maio de 2011

AS GRAÇAS DA ESTAÇÃO

Existem lugares que são muito citados e mostrados por aqui, mas a razão é óbvia: eles ficam no meu trajeto para a cidade e, logicamente estão sempre no alvo da minha câmera fotográfica !
O Bairro da Estação é um desses lugares e sempre estou por lá em busca de novidades.

No meio da Praça da Estação existe uma árvore monumental, uma Figueira (Ficus Macrophylla) que espalha suas raízes formando uma verdadeira escultura verde.

Qual cobras gigantes elas caminham pelo gramado !

Na paz da praça tranquila, a árvore, o Quiosque e a criança.

Em frente à nostálgica Estação Ferroviária, a charrete aguarda os passageiros. Linda imagem, mas eu tenho muita pena dos cavalos...
E aqui vai mais um dos meus inúmeros questionamentos: por que esses animais que viviam livres correndo pelas campinas, precisam andar com antolhos, que os obrigam a olhar somente para a frente ; atrelados à alguma coisa; com rédeas para manobrar sua vontade e ferros na sua boca? Em Nova York existe um movimento contra o uso de charretes. Veja aqui:http://estrelando.r7.com/series/nota/nua:_kristen_johnston_posa_em_cima_de_cavalo-
Link
O bonito casarão azul é atualmente uma escola. Tenho uma foto de 1953 onde ele aparece no fundo. No seu jardim, um Ipê amarelo ilumina a rua com sua florada de agosto. Veja aqui, na 2ª foto da postagem:http://pousodolourenco.blogspot.com/2008/08/ip-amarelo-o-sol-de-agosto.html

LinkO Coreto da Estação não é muito antigo, pois foi construído em 1984, como podem ver na placa.

E assim vou eu, buscando as graças dessa pequenina cidade onde vivo. Em cada lugar, tendo olhos de ver e ouvidos de ouvir, pode-se encontrar alguma coisa interessante.

domingo, 10 de abril de 2011

COISAS DO MEU BAIRRO

Neste sábado, caminhando para o trabalho, fui observando as peculiaridades do meu bairro semi-rural e simples que tanto me encantam. Câmera fotográfica na mão, fiquei eu registrando a forma de viver do meu Cafundó.

A imagem de N. Sª. Aparecida, padroeira do Brasil, enfeita a porta bonita e lustrosa da casa de "frente de rua".

Bisbilhotando porta a dentro de outra casa, vejo a decoração tradicional das almas simples e puras: quadro com a figura do papa e do Divino Espírito Santo, ao lado da guirlanda de natal e do espelho.
Nos bairros simples, as portas costumam ficar abertas, e as janelas também...

Adorável carrocinha amarela, na entrada de outra casa. Já fotografei uma carrocinha azul em outra residência. Para que será usada ?

Comida para o cavalo fica na calçada em frente à casa. O muro é de bambu !

Olhem só o que encontro na beira da linha férrea ! Um rapaz tecendo uma cesta, em pé !
Perguntei-lhe se podia fotografar e ele disse que sim. (Mesmo que dissesse não, eu daria um jeito de registrar a cena inusitada)

Um vizinho tem esse reboque de diversão, que fica estacionado em frente à sua casa. Já está atrelado ao caminhão e imagino que sairá para trabalhar.

Mais adiante, o estandarte anuncia as delícias da casa !

Esse cartaz é novo, e pena que a foto ficou embaçada. Diz assim:
Domingo
Frango Assado com Farofa - $11,00

E outro abaixo oferece com maionese por $15,oo e diz o telefone para contato.
Anteriormente essa casa anunciava gorros e cachecol de lã. Talvez volte no inverno...

Assim é o meu bairro.

Estilo informal de ganhar um dinheirinho, jeito de roça e muita devoção.

Adorável !

terça-feira, 28 de julho de 2009

PIEDADE - O bairro em que nasci

Piedade é um bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. O bairro nasceu no ponto onde hoje fica a Igreja de Nossa Senhora da Piedade, e começou a ser ocupado em meados do século 18.
Eu nasci na Piedade, pertinho da Estação de Trem, que foi fundada em 17/04/1873.


 Fui batizada na Igreja do Divino Salvador. Aqui estou eu, aos 6 meses, já séria e comportada.




 O sobrado que meu avô construiu.  Ao lado, pedaço da única casa com jardim que existia nesse trecho de rua.

 No  Google encontrei a casa, agora sem jardim. Que pena...
A mesma casa, atualmente.  Ao lado, nas décadas de 60/70 existia uma padaria e ao seu lado a loja de móveis do Armando.

A Igreja Divino Salvador é uma bela construção em estilo gótico,  de 1910. Imponentes palmeiras embelezam a fachada do templo.

A Igreja de N. Sª. da Piedade aparece nessa antiga foto, lá no fundo, no alto de uma colina, do outro lado da Rua Goiás.
Quando eu era criança costumava passar muitos dias na casa dos meus avós maternos, na Rua Silvana, e lembro do momento solene em que se ouvia o toque dos sinos na Igreja de N. S. da Piedade, lá do outro lado da linha do trem.
Na foto, meus avós, minha mãe com minha irmã Nelia ao colo, e eu.

Na atual foto colorida, a Igreja de N. Sª. da Piedade.
A Rua Goiás, uma das principais do bairro, margeia a linha do trem, e aqui está em foto do início do século passado, vendo-se o sugestivo nome da loja, em primeiro plano, à esquerda: "Ao Novo Século."
 Essa foto é muito antiga, pois nem existia o sobrado que meus avós construiram nem sei em que ano...

 Meu avô e os filhos tiveram essa loja - Colchoaria Goiaz, antes de ter a loja que tinham quando eu nasci...
 Praticamente no mesmo ponto, a Rua Goiás nos dias atuais, com asfalto, trânsisto e faixa para pedrestre. No canto direito, a escadaria da Estação.Rua Goiás, nos idos dos anos 40. Eu e meu primo muito querido, ao lado da loja da família.

Outro ângulo da Rua Goiás, vendo-se, à esquerda, a escadaria da Estação. Ônibus antigo e muita tranquilidade.


O trem chegou à Piedade em 17/04/1873, e com ele vieram o progresso, mais moradores e um problema:
"O lugar ficou conhecido pelo nome de Gambá, pois durante uma viagem, no momento de expansão ferroviária do Império em direção à Zona Norte da cidade do Rio, o imperador resolveu fazer uma parada na região - onde havia muitos gambás - e assim D. Pedro a batizou. Por conta disso, o lugar ficou conhecido como Parada Gambá ou Estação Gambá", explica o historiador André Nunes.


Como o nome Parada Gambá não agradava muita gente, uma moradora do bairro decidiu escrever uma cartinha para o diretor da Estrada de Ferro Central do Brasil, no fim do século 19. O texto era o seguinte:
"Por piedade, doutor, troque o nome da nossa estaçãozinha"
O apelo acabou dando certo. O diretor respondeu:
"Minha senhora, será feito. E o nome do bairro será Piedade."
Ela gostou, e o bairro ficou assim.


Em 1914 foi fundado o
River Futebol Clube, dirigido pelo Ministro Gama Filho, e primeiro clube do jogador Zico.
Uma importante fábrica de refino de açúcar foi criada em 1927, e até hoje funciona.
Como era gostoso sentir o cheiro de açúcar no ar...

Na Piedade foi fundada, na década de 50, a primeira faculdade do subúrbio carioca -
Universidade Gama Filho,
Piedade foi o primeiro bairro do subúrbio carioca a ter energia elétrica, e lá morreu
Euclides da Cunha.




Dos tempos de Gambá até a Piedade, a vida pela região continua seguindo o ritmo do trem.