Vez por outra - ou com bastante frequência - sou atacada por uma imensa nostalgia que me faz buscar as lembranças dos tempos idos da minha vida. Como já mostrei em outra postagem, eu nasci no bairro Piedade, mas vivi dos 3 aos 24 anos em Bonsucesso, subúrbio do Rio de Janeiro, simples e tranquilo, naquela época remota. Com o "progresso", o bairro foi mudando e hoje tento descobrir imagens antigas pela net e recolho as poucas fotos que herdei da minha família.
O bonde era um meio de transporte seguro porém, vagaroso. Com o aumento da população, com mais carros circulando, e com a ânsia de rapidez que tomou conta da humanidade, ele, tão bonitinho e simpático, foi descartado das ruas do Rio de Janeiro, restando o de Santa Teresa para matar a saudade. Circulando "do lado de lá da estação", o que queria dizer para mim, o lado da Rua Uranos, pois eu morava no lado da Praça das Nações, o tranquilo bondinho fazia um grande percurso, chegando até ao centro da cidade.
(foto da net)
Nessa foto tão antiga, eu estou junto do chafariz que existia na Praça das Nações. No ano de 1951. Atualmente essa praça não tem mais esse nome, mas é assim que eu lembro dela.
A loja lá no fundo era uma Farmácia. Depois dela, uma casa antiga onde morava um senhor chamado Felipe que a criançada - maldosamente - chamava por um apelido que ele não gostava e que o fazia correr atrás deles.
O Ao Nosso Restaurante quase aparece, na ponta direita da foto. Que pena não ter sido enquadrado na imagem...
Foto da Flora.
Na esquina da Rua Cardoso de Morais com Av. Maxwell, existia a padaria do seu Belmiro, e sua filha Esmeralda era minha colega de colégio. Na foto, minha mãe na varanda do nosso apartamento e, lá no fundo, o prédio da Padaria do seu Belmiro, que tinha a loja embaixo e morava no sobrado.
Uma loja curiosa existia por alí, com uma porta na Cardoso de Morais e outra na Guilherme Maxwell. Acho que era uma loja de ferragem ou de material de construção. Anos mais tarde ali seria outra loja da Elite.
Foto da Flora
Dividido pela linha férrea, Bonsucesso tinha cancela, antes das passagens subterrâneas que deram maior segurança mas tiraram o charme antigo. Essa foto que encontrei na net é de 1929.
Do lado direito da foto está a Rua Cardoso de Morais, que começa ali, junto da cancela e segue até o bairro vizinho de Ramos.
Pensando nesse tempo, vou lembrando o que existia por ali:
Além da Padaria do seu Belmiro, ( lado direito de quem segue para Ramos), tinha a casa da dona Lúcia, com quem estudei piano e acordeon. Adiante ficava o Cinema Bonsucesso, pequenino e sem ar refrigerado, o que para os cariocas era uma verdadeira prova de fogo ! Depois encontramos a Rua Baturité, onde na esquina ficava a serraria do seu Araújo, pai da minha colega Carlinda. A Tinturaria Sport e, lá na frente, já no Largo de Bonsucesso, estava a Padaria Olímpica.

Dessa rua, tenho outra jóia de fotografia que mostra meu pai e o sr. Otaviano, que era funcionário da nossa loja - Casa das Bolsas - posando na porta da mesma, lá pelo meio dos anos 50.
Ao lado, está uma loja de ferragens, que mais tarde transformou-se em um moderno estabelecimento chamado Mundo Das Louças. Este, depois foi transformado no Banco Boavista. Hoje, nem imagino o que estará lá...
Foto da Flora.
Continuando pela Cardoso de Morais, pegando agora o lado esquerdo e em frente à Padaria do seu Belmiro, tinha a quitanda do seu Alípio e, ao lado, a loja que só vendia sabões.
Na foto, meus pais estão na varanda do apartamento em que morávamos e, lá no fundo, no canto direito, aparece um pedacinho da Praça das Nações e o lindo prédio que ia da Av. Nova Iorque até a Av. Guilherme Maxwell. A rua que aparece é a última que citei. Sempre gostei desse edifício...
Mais para a frente ficava a Escola Almirante Barroso, uma casa pequena de frente de rua, onde estudei a 1ª e a 2ª série primária. Pertencia à dona Mariazinha.
Quase na esquina da Rua Bias Fortes estava o armarinho de nome interessante: A Pomposa.
Mais além, a loja que vendia flores, da dona Gracinda, onde minha mãe costumava comprar suas queridas flores para embelezar nossa casa.
Já na beirinha do Largo de Bonsucesso, a loja de tecidos da dona Arzelinda, que também era costureira e amiga de minha mãe.
Foto da Flora.
Em 1989, estava assim esse trecho da Cardoso de Morais, mas em épocas mais antigas,
logo após a Sapataria Elite, que era do meu tio e ficou famosa ao longo dos anos, com a direção do meu primo, ficava a pequenina loja do meu pai.
Margeando a linha férrea, vemos a Rua Dona Isabel onde, num terreno baldio eram armados os circos e parques de diversões.
Aqui estou eu, na Av. Paris, em 1949. Interessante observar o carro e as casas.
Já maiorzinha, eu gostava de alguns trechos dessa rua, pois existiam árvores que lhe davam uma bela aparência. Também sempre gostei de um edifício baixo - talvez 3 andares - que fazia esquina com a Av. Bruxelas e possuia belas varandas. Outra construção que para mim tinha um quê de mistério era a entrada de uma vila que começava na Av. Paris, e descia até a Av. Nova York, tendo entrada pelas 2 ruas.
Foto da Flora.
Ainda em 1949, ou 1950, durante o tempo em que moramos na Av. Paris,
num dia de domingo meu pai foi comigo e com minha irmã dar um passeio
até a "praia de Inhaúma", que ficava do outro lado da Av. Brasil. Nunca
tomei banho de mar nessa praia, mas minha sogra contava que nos seus
tempos de juventude era uma praia muito boa e era frequentada pelos
moradores. A foto antiga registrou o momento, e esse acréscimo a essa
postagem tão longa foi inspirado pelo comentário do Jayr, que lembrou da
Praia de Inhaúma.
Foto da Flora.
Duas fotos encontradas na net, acredito que da mesma época - 1957.
Rua Cardoso de Morais, e vê-se o Lotação, pequeno ônibus daqueles tempos. A Casa Chic, da qual pode-se ler o letreiro, era um armarinho completíssimo
Acho - não tenho certeza - que as pessoas sentadas no meio-fio, eram
comerciantes que vendiam alimentos, nos dias de Feira. Observem que
algumas usam um lenço na cabeça, típico das "baianas" que vendem doces.
Lembro que usavam um fogareiro à carvão e assavam espigas de milho. Uma
senhora está inclinada, como se estivesse perguntando o preço de alguma
coisa.
Essa foto me fez "viajar" nas asas do tempo...
Eu morei no edifício que aparece no fundo da foto.
Essa foto é da varanda do edifício que morei - Rua Cardoso de Morais 25 apartamento 301. Minha família (mais a empregada da casa), apertados na pequenina varanda.
Mas o melhor da foto é que aparece um pedacinho da rua, o muro da linha do trem, e o morro lá atrás ! O ano: 1950 ou 1951.
Foto da Flora.
Nessa foto, já mais perto da esquina, vemos o ponto de ônibus, e o Banco Boavista que inicialmente era aqui, antes de ocupar o lugar do Mundo das Louças. Onde eu estaria nesse dia de 1957, no momento que fizeram essa fotografia ? Já me procurei, mas não estou aí não...
Após o ponto de ônibus, ficava a loja das Mercearias Nacionais, seguida da loja Sued, que vendia roupas.

Essa é a visão que tínhamos da janela do nosso apartamento. A linha do trem, e a rua Uranos do outro lado. Quase aparece o colégio Santa Cruz, onde estudei, que estava na ponta direita da foto!
Foto da Flora.

Encontrei na net essa fotografia em que aparece o tradicionalíssimo Ao Nosso Restaurante, sinônimo de boa comida. Logo adiante, a Loja Modelo do Juquinha, outro marco do bairro.
Após o Juquinha, como era conhecida a loja, e fazendo esquina com a Praça das Nações comprida que margeia a linha do trem, existia um grande bar com sinuca nos fundos. Na frente, em pequenos nichos, um lugar onde vendia frutas e era do seu Domingos, pai da minha colega Palmira, e um engraxate daqueles de cadeiras bem altas.

Depois da esquina, mais adiante um pouco, estava o Armazém Leão, que tinha um grande leão "empalhado", que era o termo que usávamos na época. Um pouco assustador...
Continuando o caminho encontramos As Lojas Brasileiras, O Lar Feliz, e um armarinho.
Nesse ponto a calçada fazia uma curva formando uma "bacia", e nesse trecho estava a Farmácia Vitória.
Na esquina, encontrávamos a Av. Paris. E, no outro lado da "bacia", estava o Cinema Paraíso, que aparece no lado esquerdo da foto e é a construção de 2 andares.
Só restaram as fotos e as lembranças...

Na Praça das Nações comprida, (pois a outra era arredondada), o belo chafariz com a Mulher da Luz, escultura que foi roubada recentemente !!!
Nessa foto mais recente, onde os ônibus estão, era, nos tempos idos, o lugar dessas lojas que citei acima.

Av. Nova York e o carro antigo. Morei nessa casa onde está o carro, porém em época posterior.
Como lastimo não possuir mais fotos desses lugares que fizeram parte da minha vida e por onde caminhei durante tantos anos...
Ofereço essa postagem carregada de recordações para meu amigo Filipe, saudosista inveterado e que vive suspirando de saudade dos tempos idos.
Em 15/8/17, reencontrei uma colega de infância, que estudou, como eu, no Colégio Almirante Barroso, da Dona Mariazinha, que ficava na Rua Cardoso de Morais, perto da Rua Bias Fortes!
Ela é a Esmeralda, filha do seu Belmiro da padaria! Também estudamos acordeon com a D. Lúcia. Isso nos anos 50...
A Esmeralda me encontrou porque uma pessoa leu essa postagem sobre Bonsucesso e a avisou !
Esmeralda e seu marido vieram me visitar em São Lourenço, e foi ótimo relembrarmos tantas coisas, pessoas, lugares, de um Bonsucesso que não existe mais !
Ela me lembrou de uma carvoaria, na esquina da Av. Guilherme Maxwell com Av. Bruxelas, que eu não lembrava mais. E a carvoaria ainda existe ! Que bom !!!
Na foto, a Esmeralda e o Normando.
Foto da Flora.
PS: essa postagem está ficando como obra de igreja: inacabada, pois a cada dia acrescento mais alguma informação. O que começou como um simples recordar meu bairro, acabou transformando-se num compêndio sobre Bonsucesso dos tempos idos !