sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

RELEMBRANDO TEMPOS IDOS...

Continuando a trazer para o FLORA DA SERRA algumas postagens do meu blog SÃO LOURENÇO - Caminho das Águas, deixo hoje aqui essa que é uma das que mais gosto, talvez por trazer-me ternas lembranças de tempos tão distantes...

DOMINGO, 24 de Maio de 2009.

BRINCAR SIMPLESMENTE

São Lourenço em 1951 era, para mim, o próprio Paraíso Terrestre. Passear pelo Parque das Águas era a felicidade máxima que eu já tinha vivido na minha curta existência de 6 anos.

Nas proximidades da Fonte Sulfurosa existia o que hoje chamamos "americanamente " de Play Ground. Os brinquedos eram de madeira e ferro, fortes e simples.
Por incrível que pareça, lembro bem desse dia em que eu e meus irmãos andamos de gangorra.
Eu fiquei de um lado, e um deles sentou do outro, mas por ser bem maior que ele, logo joguei-o para o alto. A solução foi pôr os dois de um lado, mas assim fui eu a ser jogada para o alto. Rimos muito, e papai aproveitou para fotografar, pois gangorrar era impossível.

O Cavalo de Pau serviu para a foto, e a Roda também. Não sei se gostava deles, pois meu brinquedo preferido sempre foi o Balanço. Lá atrás do Cavalo de Pau estavam os balanços, mas eram barcos de madeira, enormes (para meus 6 anos) e que "voavam" em grandes alturas.
Neles não tinha coragem de andar...

Outra distração famosa era levar pão para os patos e os peixes. Sempre trazíamos um pouco de pão do hotel para alimentar a fauna aquática. Nessa foto, dá para perceber que eu não estava gostando muito da proximidade dos patos (ou gansos ?), pois enquanto minha irmã ria, e meu irmão olhava tranquilamente, eu encarava o bichinho preocupada com um possível ataque.
PS: o escrito acima pertence a outra foto.

Visitar a Fazenda Ramon era outro programa imperdível para quem estava em São Lourenço.
Também lembro do dia que pegamos o "charretão", única charrete grande, com muitos lugares, para fazermos o passeio famoso. Inesquecível o doce-de-leite fabricado lá, servido em copinhos de papel encerado e pazinha de madeira.

Como eramos felizes com tão pouco...
Hoje, na ânsia do ser humano por lazer e prazer, nada satisfaz e o Parque precisa ter "mil" brinquedos e equipamentos diversos, além é claro dos recreadores, pois ninguém tem mais imaginação para criar sua própria brincadeira.

Doces lembranças dos tempos idos...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

OS VALORES SEM VALOR.

Li outro dia um texto da Danuza Leão sobre as qualidades mais valorizadas nos dias de hoje. Fui lendo e sentindo um certo incômodo, não percebendo bem onde ela queria chegar.

Ela começa dizendo que, como tudo mudou, iria falar das qualidades que dão mais ibope:

" É preciso ser ligado, antenado e, sobretudo, bem informado. Mas é preciso também ser esperto para usar as informações na hora certa".

(Em Paris, café nos tempos antigos.)

"Cultura já esteve mais em alta, mas tem sua vez em algumas rodas, e conhecer profundamente um assunto - mesmo só um - costuma deixar as pessoas de queixo caído.
Outra qualidade muito valorizada é a dos que leem os jornais - bem. Todos os do Rio e de São Paulo, claro, e talvez de mais uns quatro Estados."

(Linda Estação Ferroviária de Caxambu).

"Saber esgrimar com as palavras também faz grande sucesso, mas é perigoso: sempre pode haver alguém mais talentoso e ferrar você de vez. Mas quando quiser falar mal de alguém, seja irônico, é mais cruel, não compromete, não dá processo e nunca diga nada que possa ser repetido: fale bem, mas usando tons de voz e sorrisinhos que vão arrasar, de vez, aqueles de quem você não gosta".

(Bairro Penha, no Rio de Janeiro dos anos 20. Ainda rural e com a famosa igreja lá no fundo da foto.)

"Mas um dia você se lembra de que há muito, muito tempo, existiam qualidades bem diferentes dessas, e que hoje não fazem o menor sucesso.
Tem sentido, hoje em dia, dizer de alguém que ela tem um excelente caráter ?"


(Muitas rosas no Parque das Águas de S. Lourenço nos tempos idos !)

"Que é sincera ? Que nela você pode confiar ? Se você gosta de verdade dela, é melhor ficar calado, pois pega até mal dizer essas coisas de um amigo. E existem ainda outras de que não se ouve falar há tanto tempo, mas tanto, que já virou até coisa de época".

(Dirigível Zepelin no Rio de Janeiro, na década de 30.)

"Passa pela cabeça dizer que uma pessoa é sensível, terna, delicada, bem-educada, que tem um grande coração ? Pega até mal; e passa pela sua cabeça que uma pessoa é bondosa?"

(Copacabana em 1910 !)

"Procure lembrar há quantos anos você não ouve falar de um gesto de bondade, não recebe um olhar de bondade, não ouve nem pronuncia a palavra bondade, se é que isso ainda existe.
Se não souber do que se trata, procure no dicionário, e talvez encontre; talvez."

(Batalha de Flores - Carnaval 1907.)

Quando terminei de ler - e já reli - só pude pensar que existem vários mundos nesse mundo !
Esse mundo de que ela fala - e não sei se o texto retrata uma verdade ou é somente um texto para a revista - está muito distante de mim !
Aqui nas minhas rodas ainda se valoriza a sinceridade, o bom caráter, e uma pessoa terna, educada, sensível é muito valorizada. Quem tem um bom coração então está muitíssimo bem cotado por aqui !
E a bondade podemos encontrar em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite !!!

E você, amigo leitor, em que mundo está vivendo ?

Nas fotos, imagens de tempos antigos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

SABORES, SONS E PERFUMES DE OUTRORA...

Lá estou eu novamente revivendo o passado, nesse desejo de afastar-me dos tempos atuais onde muitas vezes fico incomodada com os sabores, sons e perfumes que encontro por aí.

A Confeitaria Manon, no centro do Rio de Janeiro, era onde muitas vezes meus pais compravam nossos bolos de aniversário. E que bolo ! Massa de pão-de-ló e camadas de creme de manteiga, lindamente decorado com rosas do mesmo creme. Pelo menos é essa a imagem que ficou na minha lembrança. A Manon existe até hoje. Vejam aqui:
http://www.confeitariamanon.com.br/restaurante.htm

Confesso que não lembro exatamente como era o nosso rádio naqueles anos 50. Creio que seria mais ou menos como esse da foto, com a caixa em madeira. Nele eu, aos 6 anos, ficava ouvindo um programa com o Luís Gonzaga - o Rei do Baião, sucesso daqueles tempos antigos.

Matte Leão geladinho, delícia que aprecio até hoje !
Era da minha minha mãe essa caixa de madeira, embalagem do mate naqueles tempos idos.
Minha mãe era ainda solteira, e calculo que seja dos anos 30 ou início de 40. Meu pai envernizou a caixa e ela está bonita até hoje.
http://www.matteleao.com.br/

Encontrei essa à venda na net por $100,00 ! Dizem ser dos anos 30, mas é um pouco diferente da minha, inclusive na tampa, que é de correr.

O "trio maravilhoso Regina" : água de colônia, sabonete e talco, eram usados pela minha família e lembro especialmente da minha avó aspergindo um pouco do perfume ao colocar lençol limpo na cama.
Eu também faço isso, não com a água de colônia Regina, mas com outros perfumes que gosto.

Lembro que minha mãe gostava de um perfume argentino - Chambley - e, vez por outra, ela comprava um vidro da tal preciosidade.
Eu, apesar de gostar muito dos perfumes da Natureza, sou um pouco crítica com os perfumes criados pelo Homem. Perfumes muito fortes me dão dor de cabeça. E percebi que atualmente existem uns que são terríveis para mim !
De vez em quando recebo uns abraços extremamente perfumados de amigas que me deixam com vontade de trocar a roupa pois o perfume leva horas para desaparecer !!!

Ver a carrocinha amarela do "Sorvex Kibon" era despertar a vontade de tomar sorvete !
http://www.kibon.com.br/sobre-a-kibon

Meu preferido era o Ton-Bon de limão. E o Eski-Bon, lógico !

A garrafinha do Guaraná Caçula era na medida ideal para a sede dos anos 50 ! Sem exageros, sem desperdício.

http://www.guaranaantarctica.com.br/produtos/guarana-antarctica.aspx

E a da Coca Cola idem !!!
E não era em todas as refeições ou todos os dias que tomávamos refrigerantes !
Isso era coisa de festa ou datas especiais. Comedidamente, como era costume nos tempos antigos. Talvez por isso fosse mais esperado, valorizado e apreciado...

As passas, naquelas charmosas caixinhas vermelhas de papelão, eram muito apreciadas por minha irmã.
Essas caixinhas da foto que encontrei na net devem ser de plástico.


Nunca liguei muito para balas, ao contrário de grande número de crianças que conhecia. Mas as que eu gostava eram especiais. E também parcimoniosamente degustadas !
O Caramelo Toffee era meu preferido. Chic, fino, na linda embalagem marinho com bolinhas brancas, era um verdadeiro prazer gustativo !

Dessa bala nem lembro o gosto, mas a aparência é encantadora !

E a famosa Bala Boneco preferida por muitos, com seu formato diferente e a cor-de-rosa !

Outra lembrança encantadora é a da caixinha decorada com desenhos de crianças em trajes típicos, como os holandeses. Dentro, amendoins com uma cobertura crespinha, em cores suaves: branco, rosa. Não encontrei nada sobre esse produto na net. Alguém lembra dele ?

Meio mágico era a gelatina colorida, que meus pais compravam em pedaços, formando quadrados de várias cores. Esse produto existe até hoje, mas para mim já não tem a magia dos tempos idos...

Poderia ficar aqui por horas, relembrando os sabores, sons e perfumes dos anos 40 e 50 que, para mim, soam de uma forma mais suave, sem a intensidade e a pressa dos anos 2000...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

PASSEANDO EM CAXAMBU

Num domingo manso e acinzentado, fui passear em Caxambu, cidade vizinha de que muito gosto e que já foi mostrada aqui:
http://floradaserra.blogspot.com/2008/11/caminhos-j-percorridos-caxambu.html
http://floradaserra.blogspot.com/2011/03/descobrindo-historia-de-avo-para-neto.html

Seu Balneário, localizado no aprazível Parque das Águas, é uma bela construção que não canso de admirar !
Construido em 1910, no estilo neoclássico, o Balneário é ricamente ornamentado com vitrais franceses.

Nessa foto muito antiga, vejam como era o Balneário de Caxambu. Pelas roupas, deve ser do final dos anos 1800 ou início de 1900 !!!

Detalhes preciosos embelezam a antiga construção que foi recentemente restaurada.

Azulejos e ladrilhos são portuguêses e ingleses.
Adoro essas guirlandas de flores nos azulejos !

E o que dizer desse magnífico piso em azul ?
Lindo !

Detalhes delicados de uma época romântica...

O esplendido vitral da enorme porta de entrada.

No Parque as fontes estão espalhadas pelos verdes jardins.

Fonte D. Pedro e a rica coroa.

São muito bonitas essas fontes antigas. Observem o teto pintado.

Outra fonte interessante, no caminho que leva ao lago.

Ladrilhos e grades são uma constante nessas construções.

Mais uma fonte !

Gosto muito de marquises de vidro !

Perto do Balneário, logo na entrada do Parque, está esse laguinho e sua Ninfa.

Rosas. Serão as antigas ?

Recantos verdes de muita paz.

Bela imagem desse agradabilíssimo Parque das Águas.

Fora do Parque, a Praça principal. E nela, essa beleza de coreto, agora decorado para o Natal.

Junto da Estação Rodoviária está o prédio da Estação Ferroviária, com seus arcos e o nome da cidade. Pena não existir mais o trem...

Mas na década de 1930, a Estação Ferroviária era assim !

A ponte da Praça tem a mureta imitando troncos. Será obra do Chico Cascateiro ?
Conheça a história do Chico aqui:
http://www.tanto.com.br/chicocascateiro.htm

Sentei nesse banco apreciando a serenidade do lugar...

Ruy Barbosa também andou por aqui em 1922. Será o mesmo banco, já que existem vários iguais no Parque ?

Mais um dia em que voltei no tempo...
Num tempo mais leve, tranquilo e belo.